Eu tenho um piano.
Escondido, triste e sereno, que não toca para ninguém.
De vez em quando vou para junto dele, e toco-lhe devagarinho, só para o sentir, para saber que ele está ali. E penteio-o, e abraço-o, ele grita... E toca só para mim...
É intemporal, é imaginário, nunca perde a voz, canta a saudade, canta-me a mim, quando me esqueço quem sou.
E ele tem alma, dá-me notas e melodias para sonhar.
É lá que habito, longe do medo, longe da morte, longe das perdas inaceitáveis da vida.
22 dezembro 2009
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